Lei Cidade Limpa deixa o publicitário mais criativo, diz Versolato


O mercado publicitário comemora nesta terça-feira (31) o Dia Nacional do Outdoor. Neste ano, apesar da proibição em São Paulo – que vigora desde 2007 -, a categoria foi a mais premiada em Cannes, com 21 Leões, e surpreendeu com a quantidade de investimentos que recebeu no primeiro semestre – foram R$ 202,1 milhões.

Apesar das implicações financeiras como demissões, encerramento de empresas etc., a Lei Cidade Limpa (14.223/06) – que restringiu a publicidade externa na cidade de São Paulo – não compromete o mercado, na opinião do vice-presidente de Criação da Y&R, Marco Versolato. “Essa proibição só despertou o foco e a atenção em outros meios de expressar uma mensagem”, disse ao Adnews. Para ele, a lei até ajudou a aguçar a criatividade do profissional brasileiro, que foi obrigado a inventar novas formas de anunciar. “A criação sempre acha um meio de ser dispersada”.

Embora seja rígida, a Lei possui algumas brechas. A que permite colagem de cartazes, placas e até pinturas em muros durante o período eleitoral, para Versolato, não é um erro. “Se falar de cidadania, de direito de expressão, das possibilidades de conhecer os candidatos, isso é justo, porque a gente tá falando de um momento especial, em que a população precisa ter contato. Então eu sou favorável”, declarou.

Na opinião do diretor da Contato Brasil, Raul Nogueira Filho, o problema é que a liberação causou contradição e instituiu a regra do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Em 2008, quando houve a primeira campanha eleitoral depois da Cidade Limpa, não podia colar cartazes, por exemplo, onde já fosse proibido – como em São Paulo. Em 2009, o Senado estendeu a liberação em âmbito nacional, por isso Nogueira Filho, que já foi presidente da Central de Outdoor, diz que o meio não tem conflitos com o que chamou de “lei arbitrária de São Paulo”.

“O maior problema dessa lei é a falta de democracia, porque não foi levado em consideração que empresas lícitas têm direitos”, provocou o diretor da Contato. Ele disse não entender a razão da radicalização, já que todo o país possui regras rígidas e fiscalização sobre a mídia exterior, que não atinge menos de 70% dos mercados em que opera, segundo ele. “A partir de São Paulo nós ainda temos clientes que atuam em nível nacional”, disse, negando uma possível substituição da cidade como melhor mercado para o outdoor. “A Grande São Paulo é muito pujante. O interior de São Paulo é muito ativo, as demais grandes capitais são muito boas. O mundo continua atuado firme”, declarou. “Não há um substituto, não há um destaque”.

Versolato lembra que a proibição do outdoor em São Paulo prejudica o planejamento de determinadas marcas. “Qual seria a mídia complementar de um produto que sai da TV?”, questiona.

Em relação ao Copan, tradicional edifício da capital que será restaurado com ajuda de outra brecha na Cidade Limpa, Nogueira Filho disse que se trata de um caso em que a administração pública passa por cima do interesse público. “É um caso esdrúxulo”, comentou. “É o que acontece com muitos casos, [quando] o interesse da administração pública fica interferindo”. O problema, segundo ele, é que “pode no Copan; no prédio da esquina não vão aceitar, fica aquele esquema de ‘só quem a gente quer’”. Essa brecha, na opinião do diretor, não vai virar regra “porque depende do humor do poder”.

Outdoor em Cannes

Com ou sem Cidade Limpa, a categoria foi bem em Cannes. Com 3 Leões de Ouro, 6 de Prata e 12 de Bronze, o Outdoor recebeu 36% dos 58 prêmios brasileiros no Festival Internacional de Publicidade de 2010. O bom desempenho é reflexo da capacidade inventiva do país, de acordo com Nogueira Filho. “O homem de criação compreende a coisa e isso é muito bom, porque ele aprendeu a trabalhar com nosso outdoor (…) Isso distingue nosso profissional de criação de outros mercados”, afirma.

Versolato foi jurado em Cannes justamente na categoria Outdoor, e ele ressaltou que o desempenho brasileiro não foi afetado diretamente pela lei paulistana. “A gente levou Leões em uma categoria em que as proibições não entram em São Paulo”.

Mas tanto Nogueira Filho quanto Versolato lembraram que o outdoor não é só o tradicional painel de 9×3 metros a qual estão acostumadas a grandes metrópoles. O VP da Y&R ressaltou que algumas peças premiadas na França, como o ‘Whopper Face’, da Ogilvy para o Burguer King, não cabem nesse padrão. “Em Cannes a coisa significa outdoor mesmo, não aquilo que entendemos como outdoor”, disse o Nogueira Filho.

autor: Leonardo Pereira
fonte: http://www.adnews.com.br

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2 comentários (+add yours?)

  1. Mônica Pinheiro
    Set 01, 2010 @ 08:47:24

    O povo brasileiro é o mais criativo do mundo, pois ele dá jeito pra tudo. Não seria diferente no ramo da publicidade.

    Responder

  2. designsal
    Set 01, 2010 @ 09:13:38

    E verdade Monica criatividade e com os brasileiros

    Responder

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